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sexta-feira, 8 de março de 2019

Exposição – A mulher nas Coleções do Arquivo Fotográfico de Évora

Integrada nas comemorações do Dia Internacional da Mulher, a exposição A Mulher nas Coleções do Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Évora pode ser vista desde o passado dia 7 de março.

O Município detalha num comunicado que o conjunto de fotografias expostas «resulta da pesquisa de sinais de narrativas e imagens iconográficas do tema nas diferentes coleções do Arquivo Municipal» que, de forma seletiva e subjetiva, remete para a perceção e representação da imagem da mulher nos últimos 150 anos.

Entre retratos de estúdio, reportagens ou fotografias artísticas «foi possível elaborar um documento social, etnológico e cronológico da evolução do estatuto da mulher e da sua representação social», no período entre 1870 e os inícios do século XXI.

«A pesquisa efetuada permitiu trazer para as paredes do espaço expositivo, a burguesa do séc. XIX, a mulher confinada ao espaço doméstico, as operárias fabris das primeiras unidades industriais da região (incluindo o trabalho infantil, no feminino), as camponesas alentejanas e das serras algarvias, as primeiras empregadas de serviços, as artistas dos palcos lisboetas e eborenses, as funcionárias da autarquia de Évora ou mulheres anónimas», lê-se no texto.

Entre os autores das imagens recolhidas estão nomes como Maria Eugénia Reya Campos (primeira fotógrafa portuguesa), José Pedro Braga Passaporte (fotógrafo da Casa Real) e Joaquim da Silva Nogueira (do estúdio Photo Brasil).

A exposição ficará patente na Biblioteca Pública de Évora, local onde pode ser visitada até ao dia 30 de março.

Foto/ Arquivo/ Arronches em Notícias/ Marcelo Caetano numa visita ao Alentejo, com camponesas do Sul que na época sonhavam com melhores condições de vida nos campos do Alentejo e alguma "liberalização".



quinta-feira, 8 de março de 2012

Á Mulher Alentejana

No dia da mulher a nossa homenagem à mulher alentejana com um passado sofrido de pobreza e dura luta nos campos do sul, aqui simbolizado nesta foto com Marcelo Caetano, a lembrar tempos passados sem Troikas como cenário.

Com Caetano as camponesas do sul sonharam com um futuro melhor, que acabaria por não as trair e houve de facto melhores condições de vida nos campos do sul e alguma "liberalização".

O erro da altura foi pensar que nos regimes ditatoriais "liberalização" queria dizer democratização. Sem Guerra Colonial, talvez a esperança de uma democratização elitista se concretizasse. Mas os valores e as ideias moldam mais os homens do que o pragmatismo da democracia.

Caetano, no fundo, também não imaginava Portugal sem império e sabia que em democracia ele desapareceria em meses como de facto veio a acontecer, com o 25 de Abril, um virar de página sofrido sem pena nem glória, com a esperança de tempos melhores que como a lenda de D. Sebastião ainda estão para vir numa manhã de nevoeiro… para os portugueses e novas nações do velho império lusitano.


Á Mulher Alentejana

Mulher Alentejana é madrigal

É aragem fresca, água que corre

É sentimento que nunca morre

Mulher Alentejana é farol

A sua luz faz inveja ao sol


É força agreste, terra barrenta

Fruta silvestre, amora preta

Veste-se de negro simples discreta

Esconde o choro num riso franco

Olha o campo é filho seu

Morreu na guerra, luto lhe deu

Raiva bravia, fundo barranco

Que lhe engoliu os sentires

Rugas na pele gasta p'lo sol

Já foi menina de frescas carnes

Foi rainha de alguns amores

Hoje velhinha pensa na prol


Olha pró sol, aqui estou eu

Vivi a vida que Deus me deu

Posso morrer vou descansada

Perdi os passos naquela estrada

Ganhei o chão onde vou morar

Com o meu filho vou descansar


Olha pró sol, último adeus

À terra virgem, barro gasto

Já não há trigo, já não há pasto

Ai Alentejo dos olhos meus

Antónia Ruivo