Os antigos açudes de ribeira de Alegrete no concelho de
Arronches, que até ao início dos anos 1970, do século passado, tinham uma
função secular de represar e levar a água através de levadas até aos moinhos,
assim como regar as muitas hortas e pomares existentes nas margens da ribeira,
estão hoje abandonados, assoreados e em ruínas.
A falta de manutenção destes pontos de água para o
armazenamento e posterior utilização está a apagar a memória da indústria
"moageira" com o aproveitamento dos recursos naturais da região, com
os moinhos constituírem no passado verdadeiros focos de desenvolvimento
económico e de fixação de populações ao longo da ribeira de Alegrete e
Arronches.
De forma a preservar estes testemunhos verdadeiros tesouros
da arqueologia industrial no concelho de Arronches, sabemos que a Câmara
Municipal de Arronches, tem intenção de intervencionar o Açude d'el-Rei, que se
encontra bastante danificado pela falta de manutenção agravada pelas últimas
cheias.
Localizado junto á vila de Arronches, no local onde ainda
são visíveis as ruínas das choças onde viveram dois celebres mendigos, a
"Ti Filipa e o tio Cochicho",
dois idosos desprotegidos que sobreviviam da mendicidade, pedindo esmola
com a imagem de um santo, pelos montes da região.
Depois de recuperados e desassoreadas as levadas, os açudes
terão capacidade de voltar a cumprir as suas funções de armazenamento de água e
servir na rega de pequenas hortas e pomares que desde tempos remotos utilizaram
a água da ribeira, como se pode constar
pelo antigo Código de Posturas Municipais da Câmara Municipal de
Arronches.
Os açudes e moinhos de água surgiram na Península Ibérica
durante a época romana, mas foi na Idade Média que se tornaram mais comuns.
Estes moinhos utilizavam a força da água para mover grandes rodas de pedra, que
por sua vez moíam os grãos de cereais. Esta tecnologia permitiu aumentar a
produção de farinha, um dos principais alimentos da dieta portuguesa.
Os moinhos de água não eram apenas estruturas funcionais,
mas também centros sociais e económicos. Eram lugares onde as pessoas se
reuniam, trocavam notícias ou faziam negócios.
Durante a Idade Média, os açudes e moinhos de água eram
frequentemente construídos junto a rios e ribeiros, aproveitando o fluxo
constante da água. Muitos destes moinhos estavam associados a mosteiros (Moinho
os Cónegos Arronches) e propriedades senhoriais, sendo uma fonte importante de
rendimento. A localização estratégica dos moinhos também facilitava o
transporte dos cereais e da farinha, promovendo o comércio local.
A preservação dos açudes e moinhos de água é importante não
só pela sua relevância histórica, mas também pelo seu valor educativo.
Ao visitar um moinho de água, é possível compreender melhor
a relação entre o homem e a natureza e apreciar a engenhosidade das soluções
encontradas no passado para aproveitar os recursos naturais.
Fotos / Açude / Junto ao antigo moinho da Era / Mosteiros / 20-10-2024.
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