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quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Mosteiros - Memórias da "Villa romana do monte da Capela”


A villa romana do monte da Capela foi encontrada no decorrer de trabalhos agrícolas no início do século passado e mais tarde identificada na sequência de trabalhos de prospeção, nos finais da década de 90.


Entre as primeiras peças aqui encontradas ocasionalmente durante trabalhos agrícolas, estão uma estátua com um torço masculino, que se encontra em Lisboa no Museu Nacional de Arqueologia, assim como fragmentos de mosaico na época supostamente depositados na Universidade de Évora.  


No local foram efetuadas escavações arqueológicas dirigidas pela arqueóloga Isabel Pinto, sendo que, foram estas as únicas escavações ocorridas no território do concelho, dedicadas exclusivamente ao período romano.


O resultado das duas campanhas saldou-se pela identificação de uma estrutura de banhos privados da villa, composto por um compartimento, do frigidarium ou tepidarium, e um outro compartimento que corresponderia ao caldarium. A estrutura apresentaria uma planta em abside.


Além da estrutura de banhos foi recolhida abundante cerâmica comum, fragmentos de dollia, materiais de construção de diferentes tipos e dimensões, material osteológico, um prego e fragmentos de estuque com pinturas de cor vermelha e verde.


À entrada do monte da Capela encontram-se dispostas algumas colunas e bases de colunas, recolhidas pelo proprietário aquando dos trabalhos de lavoura, bem como terá sido encontrado, na mesma área, um fragmento de um mosaico policromo.


Mosteiros


Mosteiros é uma freguesia portuguesa pertencente ao município de Arronches, na região do Alentejo, com 52,99 km² de área e 456 habitantes (2011). A sua densidade populacional é de 8,6 hab/km².

 

A freguesia localiza-se no extremo norte do concelho de Arronches, na margem esquerda da ribeira de Arronches, afluente do rio Caia, limitando com o concelho de Portalegre. Dista da sede do concelho cerca de 9 quilómetros.

 

Foi antiga freguesia de Nossa Senhora da Graça de Mosteiros e curato anual de apresentação da mitra, no termo de Arronches, e esteve anexada às freguesias de Esperança e Degolados até 1 de setembro de 1887.

 

Do seu património histórico edificado, há a assinalar os Moinhos da Ribeira de Arronches, Igreja Matriz de N. Sra. da Graça, Igreja da S. Bento, a ermida do Monte da Venda (em ruínas), villa romana do Monte da Capela e as antas das Sarnadas, de Fartos e da Nave Fria.


Do seu património natural há a destacar galerias ripícolas de vegetação ribeirinha, com destaque para amieiros (Alnus glutinosa) na ribeira de Arronches, quedas de água do Pego do Inferno, localizadas junto a Mosteiros já na freguesia de Alegrete, Pedra da Bandeira ou os vastos Montados de Azinho.


Fotos/ Emílio Moitas

IN: Contributo para a Carta Arqueológica do Concelho de Arronches (António Miguel Fernandes Lopes)

Bibliografia: Carneiro, 2011; Lopes, 2009; Pinto, 1998, 2001.



 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O possível monumento funerário romano que Arronches ignorou


Na sequência de uma visita ao Museo Nacional de Arte Romano de Mérida, a pretexto de rever In situ, uma importante peça arqueológica encontrada em Arronches, integrada na exposição que ali decorria, e que atualmente percorre importantes museus arqueológicos, embora enquanto esteve depositada e exposta no Centro Cultural de Arronches tenha sido praticamente ignorada por quase todos os arronchenses, voltei a recordar uns quantos blocos de granito existentes no concelho de Arronches e dispersos por diversos locais, possivelmente provenientes de um antigo monumento funerário escalonado (com degraus) romano.

Embora rico em vestígios arqueológicos da ocupação romana, com diversos achados fruto do acaso aquando de trabalhos agrícolas tais como o arar dos campos ou abertura de covas para plantação de oliveiras, os dados disponíveis são escassos, com excepção do trabalho desenvolvido por Isabel Pinto, no ano de 1998, e enquadrado num projeto de Estudo do Povoamento Rural Romano, assim como com a realização da primeira campanha de escavações numa villa romana, situada a noroeste do concelho, Villa romana do Monte da Capela, na freguesia de Mosteiros.

Com a extinção do então Gabinete Técnico Local da Câmara Municipal de Arronches, o projeto de estudo do Povoamento Rural Romano, assim as escavações foram interrompidas, com os materiais encontrados nas primeiras campanhas a serem enviados para depósito no Crato.

Mas voltando às peças granito que hoje podem ser vistas a integrar a estrutura de um moinho de água, e outras no adro da Igreja Matriz de Nossa senhora Graça, e ainda outras duas daqui levadas para junto da antiga ermida de S. Bento em Mosteiros, e entretanto desaparecidas do local, mas dado o seu tamanho e peso, é possível que a JF. de Mosteiros saiba para onde foram deslocadas, dadas as suas semelhanças e quantidade poder-se-ia estar na presença de um monumento escalonado funerário romano, semelhante ao  de e Zósimo, hoje exposto no Museu de Mérida, que tenha sido desmontado na zona dos montes da Capela, ou Nave do Grou, na freguesia de Mosteiros, locais de onde alguns residentes afirmam terem sido levados materiais semelhantes.

No caso de Mérida em 1979, e com obejetivo de retirar escombros que ali tinham sido acumulados provenientes de escavações anteriores, ao rebaixar-se uma zona perto da estrada que dá acesso ao Teatro Romano, encontrou-se junto a outras sepulturas, e praticamente intato este peculiar monumento funerário escalonado com uma inscrição dedicada a Gneo Zosimo.

A inscrição diz que é “consagrado aos deuses Manes de Gneo Zósimo, benfeitor da Legião VII Gémina Pía Felíz, itálico de nação, com vinte anos de serviço; viveu trinta e sete anos, sete meses e quarenta e oito dias. Junia Vera dedicou isto ao seu esposo muito bondoso e casto. Aqui jaz. Que a terra te seja leve”.

Os antigos romanos pensavam que a morte era apenas uma mudança na forma de vida e para que este trânsito para a nova existência se processa-se, tinha que se dada sepultura ao defunto, acompanhando-o de uma serie de ritos funerários. Se tal não era feito, a alma do morto vagueava errante, sem morada, provocando desgraças entre os vivos e assustando-os com as suas aparições noturnas.  

O ritual funerário romano começava na casa do falecido, com a família toda a acompanhar a pessoa que estava prestes a morrer para lhe dar o ultimo beijo. Desta forma e por mais algum tempo retinham-lhe a alma, que se lhe escapava pela boca. Depois de falecer, fechavam-lhe os olhos e chamavam três vezes pelo falecido de forma a comprovarem a sua morte. Depois era perfumado com unguentos (especiarias), e vestido, se bem que a lei proibia os luxos nos funerais, podiam por ao defunto as coroas que tivesse ganho em vida. Também deixavam junto ao cadáver uma moeda para pagar ao barqueiro Caronte, quem transportava a alma num barco através da lagoa Estigia até chegar ao reino dos mortos.
Bibliografia:
-Arqueologia da Antiguidade na Península Ibérica – Porto –ADECAP -2000
-Ritos funerários Romanos – Século II - Museu Nacional de Arte Romano de Mérida
Fotos: Emílio Moitas 






segunda-feira, 2 de março de 2009

Mosteiros – A Taberna do Tio Barulho

Nas últimas décadas a freguesia de Mosteiros vem aos poucos sendo dotada de diferentes equipamentos tais como Centro Social, Centro Cultural, Praça de Touros, Espaço Internet, Casa Mortuária, espaços ajardinados e diferentes equipamentos desportivos, sem esquecer a igreja de S. João construída por iniciativa de alguns habitantes com o apoio da população e autarquia.
Na semana passada iniciaram-se as obras no velho casarão da antiga Taberna do Tio Barulho, que depois foi também de Salão de Baile do Barulho e mais tarde taberna Cardoso e Café Boa viagem, para no futuro depois da conclusão das obras em curso ser transformada em sede do Grupo Desportivo de Mosteiros.
Foi a outrora Taberna do Tio Barulho que deu origem ao primeiro núcleo urbano do lugar de Barulho, situado no então lugar da Casa Nova da Sobreira, actual sede da freguesia de Mosteiros.
A atestar a antiguidade deste casarão ligado a diferentes episódios ocorridos nos últimos cem anos no lugar de Barulho, está a data de 1899 da chaminé.
Este edifício que foi no passado comprado pela família Bandeiras e apresentava actualmente evidentes sinais de ruína, pelo que veio a ser adquirido pela Câmara Municipal de Arronches para ali instalar a sede do Grupo Desportivo de Mosteiros.


Mosteiros um pouco de história…

Mosteiros é uma das 3 freguesias do concelho de Arronches e ocupa uma área total de 52,6 km2 do concelho de Arronches, estando uma parte significativa da mesma integrada no Parque Natural da Serra de S. Mamede, uma zona de elevada importância geomorfológica e paisagística.
A densidade populacional é de 8,5 HB Km2 (2001), a população residente de 449 indivíduos (2001), edifícios 261 (2001) e núcleos familiares residentes 140 (2001).
A freguesia localiza-se no extremo norte do concelho de Arronches e seu limite com o concelho de Portalegre, na margem esquerda da ribeira de Arronches, afluente do Rio Caia. Dista da sede do concelho cerca de 9 quilómetros.
Foi antiga freguesia de Nossa Senhora da Graça de Mosteiros, tendo sido curato anual de apresentação da mitra, no termo de Arronches e esteve anexada às freguesias de Esperança e Degolados até à data de 01 de Setembro de 1887.
Do seu património histórico edificado, há a assinalar a igreja matriz de N. Sra. da Graça, igreja da S. Bento, ermida do Monte da Venda, ruínas da villa romana do Monte da Capela, antas das Sarnadas, Fartos e Nave Fria.
A freguesia de Mosteiros, tem como base económica a agricultura, olivicultura, pecuária, exploração de cortiça, aproveitamento dos montados de azinho, produção de carvão, panificação e comércio.
É servida por uma razoável rede de vias de comunicação, tendo ligação directa a Arronches, Portalegre, e a Espanha (por a Tojera).
Da freguesia de Mosteiros fazem parte os seguintes lugares: Casa nova e Casa Nova da Sobreira, Colmeal, Barulho, Fazenda Nova, Joinal, Moeda, Nave Fria, Sobrado, Outeiro, Pomarinho, Pomar de Zuzarta, Pombal e Serrinha.