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sábado, 25 de março de 2023

Este fim de semana muda a hora na Península Ibérica


Não se esqueça! Este domingo, dia 26 de março, volta a mudar a hora para o horário de verão. Isto significa que terá de alterar os ponteiros do relógio, na madrugada de sábado para domingo.

 

Esta mudança supostamente serve para permitir o uso mais eficiente da luz do dia e do calor durante os meses da primavera e verão.

 

Em Portugal e Espanha a mudança acontecerá esta madrugada de sábado para domingo, quando o relógio chegar à uma da manhã, deverá alterá-lo para as duas da manhã.


Processo que acontece de forma automática, pelo menos, nos dispositivos tecnológicos.


Assim, durante o ano são cinco os meses em que vigora a hora de inverno e sete em que temos a hora de verão.

 

Devido a esta mudança a manhã começará mais tarde em termos solares, iniciando o dia com mais claridade e terminará, igualmente, mais tarde, de forma a aproveitar ao máximo os dias de luz que vão ficando mais longos até à chegada do verão.


Fotos / Emílio Moitas – (Torre do relógio de Arronches)


 

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Alentejo - As andorinhas estão a desaparecer "Desde 1998 há menos 50% na península ibérica"



As aves do nosso país são essenciais, mas nem sempre são bem aceites, sendo o que acontece com a andorinha comum, que caminha a passos largos para poder desaparecer.

Segundo dados recentes da “SEO Birdlife”, a população de andorinhas caiu 50% na península ibérica desde 1998.

Na origem do decréscimo da população de andorinhas está a destruição de ninhos, a pretexto de sujidade em monumentos e outros edifícios, ou ainda o uso intensivo de pesticidas na agricultura fazem desaparecer grande número de insetos, e a destruição de zonas húmidas.

Pouco a pouco, apesar da destruição dos ninhos ser proibida pela Convenção de Berna, estas aves podem desaparecer de muitas localidades e deixar de ser vistas e escutar-se o seu canto ‘tris’, verdadeira banda sonora presente em muitas povoações do Alentejo como por exemplo Arronches.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Apanha mecanizada da azeitona mata milhares de aves na Península Ibérica em olivais superintensivos


Ecologistas exigem a proibição de apanha de azeitona à noite com recurso a máquinas, tendo em conta que se trata de uma prática com sérios impactos ambientais.


A apanha de azeitona mecanizada durante a noite em olivais intensivos está a causar a morte de milhares de aves, segundo um relatório oficial emitido pela Junta da Andaluzia (Espanha), que acaba de ser tornado público.
Estes valores podem ultrapassar os 2 milhões de aves, segundo as estimativas desta entidade.

Tendo em conta estes dados, a Quercus e a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves anunciam ter solicitado junto do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) que «seja também avaliada com urgência esta situação nos olivais intensivos portugueses, dado que milhares de aves migradoras e invernantes usam as zonas de olival em particular no Alentejo como pontos de paragem e refúgio quando estão a migrar.

A utilização de máquinas da apanha da azeitona durante a noite leva a capturas, em números muitíssimo elevados (100 aves por hectare), e causa a morte de milhares de aves.

Na sequência deste relatório, têm surgido mais denúncias em diversas zonas de Espanha e Portugal.

O relatório oficial aponta para uma estimativa de mais de 2 milhões de aves afetadas.
O documento alerta ainda para o facto das aves mortas serem usadas posteriormente como petiscos, contribuindo para um mercado ilegal e que coloca em causa a própria saúde pública.
A Quercus e a SPEA apelam à «denúncia de situações em Portuga e, tal como outras organizações, exigem «uma real averiguação do impacto destas operações por parte do ICNF e entidades oficiais e mesmo a sua proibição no caso de se verificar que causa mortalidade nas aves».

Os ambientalistas consideram também indispensável que o Governo crie, no mais curto espaço de tempo, uma regulamentação da atividade das plantações de olivais intensivos e superintensivos em território nacional.
Fotos/ Ecologistas Ibéricos e Emílio Moitas / Imagens zona de Avis.




quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O possível monumento funerário romano que Arronches ignorou


Na sequência de uma visita ao Museo Nacional de Arte Romano de Mérida, a pretexto de rever In situ, uma importante peça arqueológica encontrada em Arronches, integrada na exposição que ali decorria, e que atualmente percorre importantes museus arqueológicos, embora enquanto esteve depositada e exposta no Centro Cultural de Arronches tenha sido praticamente ignorada por quase todos os arronchenses, voltei a recordar uns quantos blocos de granito existentes no concelho de Arronches e dispersos por diversos locais, possivelmente provenientes de um antigo monumento funerário escalonado (com degraus) romano.

Embora rico em vestígios arqueológicos da ocupação romana, com diversos achados fruto do acaso aquando de trabalhos agrícolas tais como o arar dos campos ou abertura de covas para plantação de oliveiras, os dados disponíveis são escassos, com excepção do trabalho desenvolvido por Isabel Pinto, no ano de 1998, e enquadrado num projeto de Estudo do Povoamento Rural Romano, assim como com a realização da primeira campanha de escavações numa villa romana, situada a noroeste do concelho, Villa romana do Monte da Capela, na freguesia de Mosteiros.

Com a extinção do então Gabinete Técnico Local da Câmara Municipal de Arronches, o projeto de estudo do Povoamento Rural Romano, assim as escavações foram interrompidas, com os materiais encontrados nas primeiras campanhas a serem enviados para depósito no Crato.

Mas voltando às peças granito que hoje podem ser vistas a integrar a estrutura de um moinho de água, e outras no adro da Igreja Matriz de Nossa senhora Graça, e ainda outras duas daqui levadas para junto da antiga ermida de S. Bento em Mosteiros, e entretanto desaparecidas do local, mas dado o seu tamanho e peso, é possível que a JF. de Mosteiros saiba para onde foram deslocadas, dadas as suas semelhanças e quantidade poder-se-ia estar na presença de um monumento escalonado funerário romano, semelhante ao  de e Zósimo, hoje exposto no Museu de Mérida, que tenha sido desmontado na zona dos montes da Capela, ou Nave do Grou, na freguesia de Mosteiros, locais de onde alguns residentes afirmam terem sido levados materiais semelhantes.

No caso de Mérida em 1979, e com obejetivo de retirar escombros que ali tinham sido acumulados provenientes de escavações anteriores, ao rebaixar-se uma zona perto da estrada que dá acesso ao Teatro Romano, encontrou-se junto a outras sepulturas, e praticamente intato este peculiar monumento funerário escalonado com uma inscrição dedicada a Gneo Zosimo.

A inscrição diz que é “consagrado aos deuses Manes de Gneo Zósimo, benfeitor da Legião VII Gémina Pía Felíz, itálico de nação, com vinte anos de serviço; viveu trinta e sete anos, sete meses e quarenta e oito dias. Junia Vera dedicou isto ao seu esposo muito bondoso e casto. Aqui jaz. Que a terra te seja leve”.

Os antigos romanos pensavam que a morte era apenas uma mudança na forma de vida e para que este trânsito para a nova existência se processa-se, tinha que se dada sepultura ao defunto, acompanhando-o de uma serie de ritos funerários. Se tal não era feito, a alma do morto vagueava errante, sem morada, provocando desgraças entre os vivos e assustando-os com as suas aparições noturnas.  

O ritual funerário romano começava na casa do falecido, com a família toda a acompanhar a pessoa que estava prestes a morrer para lhe dar o ultimo beijo. Desta forma e por mais algum tempo retinham-lhe a alma, que se lhe escapava pela boca. Depois de falecer, fechavam-lhe os olhos e chamavam três vezes pelo falecido de forma a comprovarem a sua morte. Depois era perfumado com unguentos (especiarias), e vestido, se bem que a lei proibia os luxos nos funerais, podiam por ao defunto as coroas que tivesse ganho em vida. Também deixavam junto ao cadáver uma moeda para pagar ao barqueiro Caronte, quem transportava a alma num barco através da lagoa Estigia até chegar ao reino dos mortos.
Bibliografia:
-Arqueologia da Antiguidade na Península Ibérica – Porto –ADECAP -2000
-Ritos funerários Romanos – Século II - Museu Nacional de Arte Romano de Mérida
Fotos: Emílio Moitas