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sábado, 20 de abril de 2024

Alentejo – O ganadeiro no código de posturas de 1752 em Arronches



Antigamente no Alentejo, a profissão de ganadeiro (maioral), era reservada a homens robustos que conseguissem resistir à solidão da charneca ou ás noites de Inverno passadas ao relento e ao terrível sol dos meses de verão, que queima como fogo e que por vezes há que aguentar sem uma única sombra a servir de abrigo.


Em geral, a profissão de pastor / maioral era como que hereditária, transitando de pais para filhos. Era profissão para toda a vida, como que uma sina que, por vezes, os azares da vida ou o amor de uma mulher conseguiam interromper.

 

A pastorícia foi atividade tradicional com peso na economia do concelho de Arronches d’outrora, com destaque para gado suíno, ovino, bovino ou caprino. 


 Em Arronches os ganadeiros ou maiorais recebiam diferentes designações, tais como Porqueiro, Vaqueiro, Cabreiro ou Pastor, acompanhados pela ajuda, geralmente um rapaz ainda jovem e alguns rafeiros alentejanos eram responsáveis por rebanhos por vezes constituídos por largas centenas de cabeças de gado.

 

No Código de Posturas da Comissão Administrativa da Câmara Municipal, datado de 14 de outubro de 1752 a Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Arronches, referia que os ganadeiros:

 

“Puseram por postura que todo o ganadeiro que for achado nesta vila depois de sol-posto terá de coima quatrocentos e oitenta reis e dez dias de cadeia, isto se entenderá se vier sem licença de seu amo”.

 

Como se pode observar por este antigo Código de Posturas, era sobre as classes mais pobres que pesava o trabalho mais duro e mais mal pago (trabalhadores rurais, pastores e tratadores de gado) não tinham qualquer direito. Trabalhavam de sol a sol em condições duríssimas, no caso dos ganadeiros nem depois do sol-posto podiam abandonar o rebanho sem autorização do patrão.

 

Esta situação arrastou-se durante séculos e nem os governos republicanos como os da Ditadura saída do 28 de maio de 1926, lhes garantiam o mínimo direito a um dia de descanso semanal.


A jornada de 8 horas de trabalho nos campos só foi conquistada em 1962, após uma luta determinada, levada a cabo nos campos do Alentejo.

 

Atualmente a profissão de ganadeiro (maioral) que diariamente acompanhava o rebanho e evitava que os mesmos invadissem searas ou propriedades alheias, está quase extinta no Alentejo, cercas de arame farpado ou elétricas, assim como veículos todo o terreno, substituíram os pastores.


Abandonados à sua sorte privados do saber e dedicação do ganadeiro, os animais são vítimas de inúmeros acidentes que na maioria dos casos lhe provocam a morte por falta de assistência.

 

Figura incontornável dos campos alentejanos de outrora os ganadeiros são ainda referência na literatura oral, a começar pelo adagiário e cancioneiro popular refere que:

 

“Fui fazer uma viagem,

De Vendas Novas aos Pegões,

Para comprar umas peles,

Para fazer uns ceifões.”

 

Ou ainda:

 

Tod’a vida gardê gado,

E sempre fui ganadêro,

Uso cêfoes e cajado,

E pelico e caldêra.”

 

A dificuldade do ganadeiro em encontrar esposa com quem partilhar uma profissão dedicada exclusivamente ao rebanho pode ser constatada nestas simples quadras:

 

“Já não há quem queira dar

Uma filha a um pastor.

É que casar, hoje em dia,

É só bom p’ró lavrador.”

 

“Toda a vida guardei gado,

Toda a vida fui pastor,

Deixei botins e cajado

Por via do meu amor.”

 

Já se está o sol a "pôri"

Para trás do cabecinho

Bem quisera o nosso amo

Prendê-lo com um baracinho.

 

 Bibliografia:

 

Picão, José da Silva. Através dos Campos (2ªed.). Neogravura, Limitada. Lisboa, 1941

 

Conde, de Ficalho. O elemento árabe na linguagem dos pastores alentejanos. Revista “A Tradição”. Serpa. Série I - Ano I (1899)

 

Capela, e Silva, J. A. A linguagem rústica no concelho de Elvas. Revista de Portugal. Lisboa, 1947.

 

Nisa, Câmara municipal. O descanso semanal no concelho de Nisa será nos termos do Dec.de 8 de março de 1911, nº 5516 de 4 de março de 1919, 10782 de 20 de maio de 1925, 13788 de 9 de junho de 1927.

 

Pires, A. Tomaz. Cantos Populares Portuguezes. Vol. IV. Typographia e Stereotipía Progresso. Elvas, 1912.

 

Arronches, Câmara Municipal, Código de Posturas – 14 outubro 1752.

 

Fortios, Rancho Folclórico, Recolhas de tradições, usos e costumes de outrora.


Texto/fotos / Emílio Moitas 




 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Rapidinhas.pt - Arronches Homenageia Ganadeiro Romão Tenório

Arronches - Homenagem ao Ganadeiro Romão Tenório

Em notícia avançada pelo Farpasblog, o ganadeiro arronchense Francisco Romão Tenório vai ser homenageado na sua terra natal, durante uma corrida a realizar em Arronches por ocasião das Festas de S. João, no dia 26 de Junho.

Lidar-se-à um curro de toiros da sua ganadaria e actuam os cavaleiros João Moura, João Moura Júnior e Miguel Moura (este em espectáculo-extra de variedades taurinas, por ser amador e não ter ainda 16 anos).
Pegam os Grupos de Forcados de Arronches e de Monforte.


Forcados Amadores de Arronches solidários com as vítimas do sismo de Lorca

O Grupo de Forcados Amadores de Arronches, capitaneados por Ricardo Nunes, vão participar numa corrida de beneficência a favor das vítimas do sismo de Lorca, em Espanha.
A data avançada pela organização para este festejo aponta para dia 04 ou 05 de Junho, numa praça ainda por definir naquela região espanhola.

O cartel é composto por João Moura Jr, José Miguel Callejón, Martin Burgos, Sergio Dominguez, El Cartajenero e Noélia Mota.
Toiros de várias ganadarias


Arronches – Altares de S. João

Para que não se perca a tradição dos Altares de S. João nas ruas de Arronches durante os festejos dedicados a este Santo Popular, a Câmara Municipal em nota informativa vem convidar todos os interessados a participarem na realização de Altares de S. João.

Segundo o vereador da Cultura, Dr. José Bigares, com esta iniciativa, pretende-se que os altares de rua voltem a ter o sucesso que tiveram no passado.
No que refere à logística envolvida serão prestados os devidos esclarecimentos na Câmara Municipal.


Portalegre – GNR com problemas no envio de correspondência via CTT

O atraso no pagamento da avença mensal aos CTT motivou a recusa no envio de correspondência do Comando da GNR de Portalegre.

Segundo o presidente da ASPIG, José Alho em declarações à Rádio Portalegre, este problema estende-se a mais quatro distritos do país, nomeadamente Castelo Branco, Guarda, Viseu e Porto, e pode alastrar-se a outros distritos se a GNR não for dotada de meios financeiros para resolver a situação.

Por sua vez o tenente-coronel Costa Lima, da GNR, em declarações ao Correio da Manhã, negou a existência de uma divida, falando em falta de liquidez.

Ainda segundo o porta-voz da GNR o que se passou foi que os CTT não detectaram o pagamento da GNR, indicando um prazo de 48 horas para a resolução do problema.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Arronches – Ganadeiro Francisco Romão Tenório Hospitalizado em Lisboa


O prestigiado Ganadeiro arronchense Francisco António Moura Romão Tenório, de 71 anos foi vítima de um enfarte de miocárdio, sofrido na sua residência no Monte de Martín Tavares em Arronches no passado dia 01 de Abril. Depois de socorrido no hospital José Maria Grande de Portalegre e dado o seu delicado estado de saúde, acabaria por ser evacuado de helicóptero para uma Unidade de Saúde de Lisboa.
Dotado de elevadas qualidades pessoais, profissionais e humanas, Francisco Romão é pessoa bastante conhecida no mundo dos toiros e também muito admirado pela comunidade arronchense.
Nada fazia prever esta grave situação de saúde que o atingiu, tendo inclusive o ganadeiro participado na procissão do Senhor dos Passos em Arronches no passado dia 22 de Março, altura em que registamos esta sua fotografia quando transportava o andor.
Arronches em Notícias solidário com o amigo Francisco Romão deseja rápidas melhoras.

Link para a Procissão do Senhor dos Passos em Arronches.

http://arronchesemnoticias.blogspot.com/2009/03/arronches-comemora-o-senhor-dos-passos.html