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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Comissão de Utentes da Rede Viária do Caia ignorou Arronches mas promete marcha lenta contra a sinistralidade rodoviária na Nacional 371 e 373

Um grupo de catorze cidadãos constituiu a recém-criada e denominada Comissão de Utentes da Rede Viária do Caia que apela à manifestação, através de uma marcha lenta, contra a "alta taxa" de sinistralidade verificada nas estradas nacionais 371 e 373, que ligam as localidades de Arronches, Campo Maior e Elvas.

Segundo notícia avançada pelo site do jornal Linhas de Elvas a primeira ação pública desta Comissão de Utentes da Rede Viária do Caia foi o encontro com os presidentes das câmaras municipais de Campo Maior e de Elvas, no dia 14 de maio, com o fim de "indagar acerca das acções e intervenções previstas para as vias em questão, e respectivas datas", uma ação que não se compreende que tenha excluído Arronches, visto este concelho debater-se com o mesmo problema com o congestionamento provocado pelo intenso trânsito de camiões, em ambos sentidos a fazer-se praticamente por dentro do perímetro urbano de Arronches.

Ainda segundo o “ Linhas de Elvas” esta  “ Comissão, segundo sublinham os catorze elementos que a compõem, "nasceu para dar voz à necessidade sentida pela população dos concelhos de Campo Maior e de Elvas, principais utentes da EN373 e da EN371, de circular em segurança.

"O grande número de acidentes rodoviários verificado ao longo das últimas décadas, com graves danos materiais e humanos, é a causa da indignação dos utentes e respectivas famílias".

Depois da reunião com os presidentes das câmaras municipais de Campo Maior e de Elvas, a segunda ação prevista por parte desta “Comissão de Utentes da Rede Viária do Caia” consiste numa marcha lenta em data a anunciar ainda durante o mês de maio nas estradas nacionais 371 e 373.

Fotos: Arquivo/ Emílio Moitas/ Acidente em Arronches zona da Ponte de Santa Maria, com derrame de ácido para a via.



quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O possível monumento funerário romano que Arronches ignorou


Na sequência de uma visita ao Museo Nacional de Arte Romano de Mérida, a pretexto de rever In situ, uma importante peça arqueológica encontrada em Arronches, integrada na exposição que ali decorria, e que atualmente percorre importantes museus arqueológicos, embora enquanto esteve depositada e exposta no Centro Cultural de Arronches tenha sido praticamente ignorada por quase todos os arronchenses, voltei a recordar uns quantos blocos de granito existentes no concelho de Arronches e dispersos por diversos locais, possivelmente provenientes de um antigo monumento funerário escalonado (com degraus) romano.

Embora rico em vestígios arqueológicos da ocupação romana, com diversos achados fruto do acaso aquando de trabalhos agrícolas tais como o arar dos campos ou abertura de covas para plantação de oliveiras, os dados disponíveis são escassos, com excepção do trabalho desenvolvido por Isabel Pinto, no ano de 1998, e enquadrado num projeto de Estudo do Povoamento Rural Romano, assim como com a realização da primeira campanha de escavações numa villa romana, situada a noroeste do concelho, Villa romana do Monte da Capela, na freguesia de Mosteiros.

Com a extinção do então Gabinete Técnico Local da Câmara Municipal de Arronches, o projeto de estudo do Povoamento Rural Romano, assim as escavações foram interrompidas, com os materiais encontrados nas primeiras campanhas a serem enviados para depósito no Crato.

Mas voltando às peças granito que hoje podem ser vistas a integrar a estrutura de um moinho de água, e outras no adro da Igreja Matriz de Nossa senhora Graça, e ainda outras duas daqui levadas para junto da antiga ermida de S. Bento em Mosteiros, e entretanto desaparecidas do local, mas dado o seu tamanho e peso, é possível que a JF. de Mosteiros saiba para onde foram deslocadas, dadas as suas semelhanças e quantidade poder-se-ia estar na presença de um monumento escalonado funerário romano, semelhante ao  de e Zósimo, hoje exposto no Museu de Mérida, que tenha sido desmontado na zona dos montes da Capela, ou Nave do Grou, na freguesia de Mosteiros, locais de onde alguns residentes afirmam terem sido levados materiais semelhantes.

No caso de Mérida em 1979, e com obejetivo de retirar escombros que ali tinham sido acumulados provenientes de escavações anteriores, ao rebaixar-se uma zona perto da estrada que dá acesso ao Teatro Romano, encontrou-se junto a outras sepulturas, e praticamente intato este peculiar monumento funerário escalonado com uma inscrição dedicada a Gneo Zosimo.

A inscrição diz que é “consagrado aos deuses Manes de Gneo Zósimo, benfeitor da Legião VII Gémina Pía Felíz, itálico de nação, com vinte anos de serviço; viveu trinta e sete anos, sete meses e quarenta e oito dias. Junia Vera dedicou isto ao seu esposo muito bondoso e casto. Aqui jaz. Que a terra te seja leve”.

Os antigos romanos pensavam que a morte era apenas uma mudança na forma de vida e para que este trânsito para a nova existência se processa-se, tinha que se dada sepultura ao defunto, acompanhando-o de uma serie de ritos funerários. Se tal não era feito, a alma do morto vagueava errante, sem morada, provocando desgraças entre os vivos e assustando-os com as suas aparições noturnas.  

O ritual funerário romano começava na casa do falecido, com a família toda a acompanhar a pessoa que estava prestes a morrer para lhe dar o ultimo beijo. Desta forma e por mais algum tempo retinham-lhe a alma, que se lhe escapava pela boca. Depois de falecer, fechavam-lhe os olhos e chamavam três vezes pelo falecido de forma a comprovarem a sua morte. Depois era perfumado com unguentos (especiarias), e vestido, se bem que a lei proibia os luxos nos funerais, podiam por ao defunto as coroas que tivesse ganho em vida. Também deixavam junto ao cadáver uma moeda para pagar ao barqueiro Caronte, quem transportava a alma num barco através da lagoa Estigia até chegar ao reino dos mortos.
Bibliografia:
-Arqueologia da Antiguidade na Península Ibérica – Porto –ADECAP -2000
-Ritos funerários Romanos – Século II - Museu Nacional de Arte Romano de Mérida
Fotos: Emílio Moitas